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BusCo lança rotas de São Paulo para Joinville e Itajaí com operação da Catarinense

Novas conexões saem do Terminal Tietê, com transporte regular feito pela Auto Viação Catarinense e compra pela plataforma da BusCo, e projetam 680 passageiros por semana. A escolha das praças segue lógica de volume, ocupação e análise rota a rota, num setor que viu demanda e receita recuarem em 2025.

A BusCo, mobitech de transporte rodoviário de baixo custo, passa a ligar São Paulo a Joinville e Itajaí, em Santa Catarina. As novas rotas saem do Terminal Rodoviário do Tietê e são operadas pela Auto Viação Catarinense, que leva para a operação o seu padrão de qualidade e a regularidade de uma viação autorizada pela ANTT, enquanto a BusCo responde pela venda, pela precificação e pela experiência de compra do passageiro. A projeção é transportar cerca de 680 passageiros por semana nas duas conexões.

A chegada a Santa Catarina acontece num momento de ajuste do setor. O transporte rodoviário interestadual movimenta, em média, mais de 100 milhões de passageiros e cerca de 3,2 milhões de viagens por ano, segundo o relatório TRIIP 2025, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O faturamento do serviço regular, porém, recuou 6,6% no ano passado, de R$ 6,58 bilhões para R$ 6,15 bilhões, com queda de 9,6% na demanda, enquanto a tarifa média subiu 3,3%, para R$ 167,32, abaixo da inflação do período. Com o volume encolhendo e o preço avançando pouco, a decisão sobre onde operar passou a pesar mais do que o número de rotas no portfólio.

Os novos trechos se enquadram na faixa de médio percurso, entre 400 e 600 quilômetros, que concentra 33,5% dos passageiros do sistema regulado e teve reajuste de 6,3% na tarifa média em 2025. A BusCo começou a operar em agosto de 2025, com sede em Barueri (SP), e em menos de dez meses saiu do zero para cerca de R$ 5 milhões mensais em vendas, com 13 rotas e até 2.000 passageiros por dia. O ponto de equilíbrio veio em julho deste ano. A empresa não tem frota própria: opera como plataforma digital de vendas e gestão de demanda, conectada a viações parceiras em modelo de divisão de receita.

Joinville e Itajaí entram no mapa por razões complementares. Joinville é a cidade mais populosa de Santa Catarina, com 664,5 mil habitantes na estimativa de 2025 do IBGE, e abriga o maior parque industrial do estado. Itajaí encerrou 2025 na liderança do ranking nacional de importações, com US$ 16,3 bilhões, e tem a economia ancorada no complexo portuário, em logística e em comércio exterior. São mercados com circulação de pessoas o ano inteiro, por trabalho, estudo, negócios e turismo, e não apenas em feriados ou alta temporada, o que sustenta a ocupação de que o modelo depende.

O critério de seleção de praças, explica Claudio Souza, CEO e fundador da BusCo, segue a lógica das companhias aéreas de baixo custo: rotas de alto volume, ônibus de grande capacidade e ocupação elevada, o que dilui o custo operacional e sustenta tarifas mais baixas. “Nosso foco é ônibus grande, com muitos assentos de categoria média, em rotas com muito volume de pessoas, porque aí consigo colocar o preço mais baixo e encher o ônibus. É a lógica de low cost que a gente vê nas aéreas”, afirma.

A decisão, segundo o executivo, é tomada rota a rota, acompanhando fluxo, contrafluxo e o comportamento diário da demanda. “Você tem que trabalhar por rota, olhar o fluxo e o contrafluxo. Muitas vezes a empresa fica dando tiro de canhão achando que vai acertar tudo, e não dá”, diz Souza. A essa leitura se soma a precificação dinâmica, inspirada no setor aéreo, que antecipa a curva de demanda e ajusta oferta e preço ao longo da semana. As rotas nascem dentro das autorizações já detidas pelas viações parceiras, o que encurta o prazo entre a decisão e a primeira viagem.

Por não comprar ativos nem operar veículos, a plataforma coloca novas rotas no ar em prazo bem menor do que o de uma viação tradicional, e a expansão passa por conectar empresas regionais ao sistema. “A gente gosta de entender a nossa proposta em duas vertentes: como levamos dinheiro novo para essa viação e como também reduzimos o custo dela, para que ela veja vantagem nas duas pontas”, resume o CEO.

O ambiente regulatório favorece o arranjo. A ANTT trata 2025 como ano de consolidação do regime de autorização da Resolução 6.033/2023, no qual cada par origem-destino é um mercado, e novas regras de fiscalização, com foco no combate ao transporte clandestino, passaram a vigorar em agosto de 2026. Para o passageiro, a combinação de viação autorizada com compra digital é também uma alternativa à oferta irregular.

Criada pelos grupos Águia Branca e JCA, com investimento inicial de R$ 50 milhões, a BusCo trata a entrada em Santa Catarina como teste do método antes de replicá-lo em outras praças. Se a tese de ocupação se confirmar, o passo seguinte, segundo Souza, é integrar a jornada de ponta a ponta, conectando a plataforma a transporte urbano e hospedagem. Em um mercado que perdeu quase 10% da demanda em um ano, a aposta é que a disciplina na escolha das rotas, e não a extensão da malha, separa o crescimento da diluição.