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Leandro Luzone articula a conexão entre mercados e culturas: “Sem o Direito Internacional, o mundo é uma anarquia global”

Advogado brasileiro constrói atuação internacional em operações estratégicas, transita entre diferentes jurisdições e defende uma advocacia empresarial cada vez menos local e mais integrada ao fluxo global de negócios


Em um ambiente de negócios marcado por expansão internacional, fusões, investimentos transnacionais e crescente pressão regulatória, o papel do advogado empresarial deixou de se limitar à interpretação da lei. Passou a envolver leitura de cenário, gestão de risco e capacidade de conectar interesses em diferentes mercados. É nesse espaço que Leandro Luzone construiu sua trajetória.

Advogado, empresário e autor com atuação internacional, ele vem se consolidando como um nome ligado à interseção entre Direito, estratégia e negócios, num momento em que empresas buscam navegar estruturas cada vez mais complexas fora de suas fronteiras de origem.


A tese que sustenta sua atuação parte de um diagnóstico direto. As decisões empresariais já não respeitam fronteiras, e o Direito, na sua avaliação, precisa acompanhar essa mudança de escala. “O advogado empresarial do século XXI não pode pensar apenas em legislação nacional, mas em como diferentes sistemas jurídicos conversam entre si”, afirma.

À frente da Luzone Legal, banca com perfil internacional, e do Luzone Group, conglomerado com frentes jurídica, financeira e de investimentos, ele atua na assessoria a empresas interessadas em expandir operações, estruturar investimentos e conduzir movimentos de M&A em diferentes jurisdições. Nessa lógica, o trabalho jurídico deixa de ser acessório e passa a ocupar posição central na viabilização dos negócios. “O advogado que pensa como empresário não diz apenas o que é legal, diz o que faz sentido”, resume.


A carreira internacional de Luzone foi sendo desenhada a partir da prática. Ao atender empresas com operação em mais de um país, identificou que os conflitos jurídicos deixavam de ser estritamente locais e passavam a exigir leitura combinada de regulação, cultura de negócios e ambiente econômico. Essa visão foi consolidada também por sua formação.

Ele é especialista em Direito Internacional Privado pela Academia de Direito Internacional de Haia, no Palácio da Paz, na Holanda, e em Fusões e Aquisições pela Imperial College Business School, em Londres. O percurso ajuda a explicar o tipo de posicionamento que adotou. “É na interseção entre lei, economia e cultura que está o verdadeiro desafio e a maior oportunidade do advogado internacional”, diz.


Registrado no Brasil, em Portugal e no Texas, Luzone atua em ambientes jurídicos distintos, o que amplia o alcance de sua operação, mas também eleva o nível de exigência técnica. Para ele, a principal armadilha das empresas em processos de expansão internacional é supor que modelos replicáveis funcionam da mesma forma em qualquer mercado.

“Elas acreditam que podem repetir no exterior a fórmula que deu certo no país de origem sem adaptações”, afirma. O custo desse erro, segundo ele, costuma aparecer adiante, em forma de insegurança regulatória, ruído negocial e aumento de exposição jurídica. Em mercados como Estados Unidos, Europa, Brasil e Emirados Árabes, argumenta, conhecer a legislação é apenas parte do trabalho.

A outra parte está na leitura de contexto, no entendimento das práticas locais e na percepção de risco de cada interlocutor. “Muitas vezes, o impasse não está na lei, mas na forma de comunicação e na percepção de risco de cada parte.”


A mesma lógica aparece em sua leitura sobre economia global e setores estratégicos. Colaborador do Banco Mundial e ligado a instituições acadêmicas internacionais, Luzone sustenta que Direito e economia operam de forma indissociável. “Sem Direito, a economia é imprevisível. Sem economia, o Direito é abstrato”, afirma.

Essa visão ajuda a explicar também sua presença no setor de energia, em que ocupa cargos de liderança associativa no Brasil e nos Estados Unidos. Trata-se, segundo ele, de uma indústria em que capital intensivo, horizonte de longo prazo e regulação densa convivem de forma permanente.

Em tempos de tensão geopolítica e reacomodação de cadeias produtivas, seu diagnóstico é que o Direito Internacional tende a ganhar ainda mais peso como ferramenta de organização da incerteza. “Sem o Direito Internacional, o mundo é uma anarquia global e a diplomacia da força.”


Além da prática profissional, Luzone investe na produção intelectual como forma de consolidar método e visão. Autor de obras sobre proteção patrimonial e negócios, prepara o lançamento de um novo livro voltado à proteção legal internacional. Para ele, escrever não é apenas projetar reputação, mas organizar pensamento. No horizonte da advocacia empresarial, sua aposta está na combinação entre tecnologia, inteligência artificial, governança transnacional e valores humanos. Ainda assim, diz que o ponto mais sensível da operação internacional segue sendo menos técnico do que relacional.

“As leis podem ser estudadas, interesses podem ser negociados, mas conectar pessoas é o mais complexo, porque exige confiança e empatia.” No fim, é esse capital invisível que ele tenta colocar no centro de uma advocacia desenhada para atravessar fronteiras sem perder densidade estratégica.

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