O cinema independente mineiro ganha um novo capítulo com o lançamento de “O Jogo dos Condenados”, novo longa-metragem da Alfa Centauri Filmes dirigido por Barbosa Ribeiro.
A produção nasce de uma inquietação social que o cineasta identifica como essencialmente brasileira e que tomou forma a partir do sucesso da série coreana Round 6. “Tive uma inspiração na série Round 6 e fiquei imaginando como seria se fosse no Brasil”, conta. “Decidi fazer algo com criminosos para mostrar o sentimento de revolta e indignação com a impunidade que acomete o povo brasileiro, tendo em vista que pessoas que cometam crimes nem sempre são punidas.”

A narrativa se desenvolve como um jogo moral conduzido por personagens que remetem a casos que ganharam repercussão nacional nos últimos anos. A força dramática da obra intensifica-se com as atuações de Lorena Tucci e Matheus Lustosa, conhecidos do grande público desde seus trabalhos em Chiquititas, no SBT. Segundo Ribeiro, a escolha dos dois atores foi estratégica e orientada pelo peso emocional exigido pela história.
“A atuação deles contribuiu com a força dramática por serem personagens com forte carga emocional, sobretudo aquela interpretada pela Lorena, o que fez com que fosse importante contar com atores experientes e renomados”, afirma.
Ambos vivem papéis inspirados em episódios reais que inflamaram debates sobre justiça e privilégio no Brasil. Lorena interpreta uma jovem que acusa injustamente uma celebridade de um crime, enquanto Matheus dá vida a um rapaz rico envolvido no atropelamento de um ciclista. “São personagens importantes de grande impacto na história”, diz Ribeiro. “Ambos foram baseados em pessoas reais, casos que indignaram o país.”
Gravado em Belo Horizonte, o filme reforça o fortalecimento do audiovisual mineiro, embora a logística de uma produção desse porte fora do eixo Rio–São Paulo tenha exigido mais esforços financeiros e operacionais.
“Os maiores desafios são justamente os gastos com transporte, hospedagem e alimentação, tendo em vista que os atores não residem aqui”, explica o diretor. “Essas despesas pesam muito no orçamento, sobretudo por se tratar de produção totalmente independente sem qualquer patrocínio público ou privado.”
Ainda assim, considera o investimento compensatório. “Sem dúvidas valeu a pena, principalmente devido à competência, experiência e notoriedade desses artistas, que ajudarão na divulgação da obra e sua inserção no mercado comercial.”
O cineasta enxerga o momento atual do audiovisual brasileiro com otimismo, especialmente após a repercussão de filmes nacionais premiados internacionalmente. “Vejo um cenário positivo para o cinema brasileiro atual, sobretudo devido às recentes premiações de filmes como
O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui. O nosso cinema tem sido cada vez mais valorizado no cenário internacional.” Para ele, o principal desafio permanece no campo da distribuição. “Temos muito a evoluir, principalmente em relação à distribuição, pois muitos filmes encontram sérias dificuldades para se inserir no circuito comercial. Essa dificuldade é maior ainda quando se trata de produções como a nossa, gravada com um orçamento limitado.”
“O Jogo dos Condenados” é o segundo longa de Ribeiro como produtor principal. O primeiro, “Vampiros do Espaço”, foi exibido no festival Sci-Fi Floripa e deve ganhar lançamento comercial ainda este ano. Após esta estreia, a Alfa Centauri Filmes já trabalha em novos projetos, incluindo a coprodução do curta “Sentimentos de uma velha vida”, da Glee Produções, além de um novo longa com captação planejada via Lei do Audiovisual.
Ao refletir sobre sua trajetória, o cineasta destaca o caráter de construção contínua que envolve o cinema independente no Brasil. “Tem sido um caminho de persistência, escolhas audaciosas e muito aprendizado. Quero continuar produzindo, colaborando e colocando histórias brasileiras no centro da nossa tela.”





























